Logo depois do nascimento de Jesus, chegaram a Jerusalém uns “Magos”. Sua inesperada aparição despertou considerável interesse, acerca do qual Mateus quer que seus leitores sejam participantes; por isso escreve: “eis” (Mt 2.1).
Literalmente a palavra grega “Mago” quer dizer “mágico” ou “astrólogo”. O termo é uma transliteração do original iraniano, aplicado comumente a sacerdotes entre os medos e persas. Antigos escritores como Heródoto (484-424 a.C.), Clemente de Alexandria (150-215 d.C.), João Crisóstomo (347-407 d.C.) e outros concordam que os Magos vieram da Média e da Pérsia, região e proximidades dos atuais Irã e Iraque.
A cada Natal, surgem figuras que retratam três Magos chegando com presentes de ouro, incenso e mirra para o menino Jesus e por tradição uma delas é da raça negra, outra branca e outra amarela. O registro bíblico não diz quantos são e nem suas raças. Entretanto desde o século VI a Igreja Ocidental estabeleceu o número de Magos como sendo três, representando as principais raças.
O fato de terem oferecido à criança três presentes tem suscitado a teoria de que havia três homens. Simplesmente não sabemos. Os textos de Salmo 72.10 e Isaías 60.3 não servem como base para afirmarmos que eram “três” e que eram “reis”. Os “três reis” pertence a uma vasta coleção de lendárias tradições natalinas e não possui nenhum respaldo bíblico. [Cf. C. W. Ceram, Deuses , Túmulos e Sábios, pp.138-139].
A tradição natalina acrescenta ainda nomes místicos aos Magos: Melquior, Baltazar e Gaspar. Muitos retratos falados representam e procuram sustentar a originalidade destes nomes. Segundo a lenda os três foram posteriormente batizados por Tomé. A imperatriz Helena, mãe do imperador Constantino o Grande (280-337 d.C.), em viagem à Terra Santa diz ter descoberto os esqueletos dos “três Magos”. Os ossos foram depositados na igreja de Santa Sofia em Constantinopla e depois transferidos para Milão e finalmente levados para a grande catedral de Colônia. Especulações lendárias e duvidosas que não podem ser deduzidas das Escrituras.
Sabemos muito pouco acerca dos Magos do Oriente mencionados em Mateus 2. A melhor direção a seguir quanto a informações a respeito dos Magos é a de aderirmos estritamente ao texto, ou seja, que esses Magos vieram do Oriente. Todavia, pelas descrições de suas palavras e ações eram homens plenamente dignos do qualificativo de “sábios”. Rev. Ronaldo Bandeira Henriques.

