Nome popular na mídia brasileira mas, com pouca identificação com a figura bíblica. O título da obra veterotestamentária refere-se aos doze homens que Deus levantou dentre os hebreus num período de cerca de 350 anos, desde a conquista de Canaã (1400 a.C.) até Samuel, que ungiu o primeiro monarca de Israel (1050 a.C). O fim para o qual Deus constituiu Juízes era livrar seu povo dos contumazes opressores (Jz 2.11-19).
A tradução “Juízes” e “Julgar” dada ao substantivo e verbo hebraico pode causar alguma confusão aos leitores modernos, uma vez que os juízes de Israel foram líderes militares e políticos, e não presidentes de tribunais. Débora foi a única juiza a quem se atribui uma função judicial no sentido comum (Jz 4.4-5).
O Autor (anônimo) do livro de Juízes ansiava por destacar ideais espirituais e juizos morais mas, com o intuito de mostrar-nos que certas coisas sucederam ou não, em face das condições espirituais do povo. O livro apresenta-nos uma história teológica, e não apenas um relato sobre condições sociais e políticas. Assim sendo vejamos algumas ensinos pertinentes que esta história nos traz:
1. A ira de Deus volta-se contra o pecado (Jz 2.11, 14). Israel era abençoado quando obedecia a Deus, mas era castigado quando se rebelava. O povo só podia sobreviver, cercado como estava de poderosos adiversários, mediante a graça divina. Esforços de cooperação que rendiam resultados positivos, tinham que estar alicerçados sobre a lealdade coletiva a Deus (Jz 5.8-9, 16-18). Os juízos corretivos tocavam tanto sobre cada indivíduo quanto sobre a sociedade como e um todo.
2. O arrependimento produz a misericórdia divina (Jz 2.16). As opressões de povos estrangeiros serviam como meios para corrigir as condições de decadência moral, e isso tinha em vista o bem de Israel (Jz 3.1-4).
3. O homem é, verdadeiramente, um ser decadente. Após cada livramento descrito no livro de Juízes, Israel escorregava novamente para a idolatria, o que exigia ainda outro ato de juízo divino e outro libertador. Parece que essa lição nunca foi absorvida, ou, então, que tinha de ser aprendida de novo a cada geração (Jz 2.19). Uma sociedade individualista por excelência repleta de erros pessoais e coletivos (Jz 17.6; 21.25).
4. Os sistemas centralizados no homem fracassam. Essa é a lição geral ensinada no livro de Juízes. Na história de Israel, aprende-se que a única esperança reside no amor e consagração a Deus. Sabiamente diz Débora em seu cântico ao Senhor: “os que te amam brilham como o sol quando se levanta no seu esplendor.” (Jz 5.31)
Somos gratos ao nosso Deus pelas lições oferecidas pela história, pois, a despeito da corrupção presente nos poderes judiciário, legislativo e executivo não estamos perdidos, “Porque o SENHOR é o nosso juiz, o SENHOR é o nosso legislador, o SENHOR é o nosso Rei; ele nos salvará.” (Is 33.22) Rev. Ronaldo Bandeira Henriques.

