E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará. (1 Coríntios 13.3)
Existe algo mais admirável do que uma firmeza de caráter capaz de oferecer seus bens e até mesmo sua própria vida em testemunho do evangelho? Pois bem, segundo Paulo, generosidade e martírio nada valem diante de Deus “se não tiver amor”.
O apóstolo não está desprezando os méritos da generosidade, certamente ela merece o mais elevado elogio. O que Paulo mostra é que o sentimento generoso é apenas um elemento do amor. Uma pessoa pode ser extremamente generosa e, no entanto, totalmente destituída dos demais aspectos do amor. Sem falar que a renúncia aos bens às vezes tem suas raízes no egoísmo e não na genuína generosidade. Desta forma nossas ações podem até receber o louvor dos homens, mas a absoluta nulidade aos olhos de Deus.
Indubitavelmente quando Paulo fala de entregar o próprio corpo, está falando do martírio, o qual se constitui no ato mais excelente e supremo de todos. Todavia, até mesmo isto Deus reputa como sendo de nenhum préstimo, caso o coração seja destituído de amor. Não obstante, o gênero de castigo que ele menciona não era o único geralmente infligido aos cristãos. Pois lemos que, naqueles dias, os tiranos que almejavam desarraigar a Igreja procediam contra os cristãos usando mais a espada do que o fogo, excetuando Nero (37-68 a.D) que mais tarde, em sua demência, por volta de 64 a.D. incendiou Roma lançando toda a culpa sobre os cristãos, sendo considerado como o primeiro de uma série de imperadores romanos que perseguiram os cristãos. Tudo isso indicou que o Espírito estava a predizer, pela instrumentalidade de Paulo, que gênero de perseguição estava para sofrer os cristãos do seu tempo.
A lição principal do verso pode ser resumida da seguinte forma: visto que o amor é a única regra que deve governar nossas ações, e a única diretriz para o correto uso dos dons divinos, Deus não aprova nada que esteja destituído de amor, não importa quão magnificentes os conceitos humanos venham a ser. Pois, sem o amor, a mais bela de todas as virtudes não passa de mera aparência, um ruído vazio de significação; em resumo, não passa de algo grosseiro e ofensivo. Nenhuma ação é excelente para Deus se não for realizada sob a norma do amor. Como tem sido suas ações? São realizadas sob a norma do amor? Rev. Ronaldo Bandeira Henriques

