O TEMPO, A MORTE E A ETERNIDADE

Refletir sobre o tempo, a morte e a eternidade é reconhecer a brevidade da vida e a seriedade do nosso encontro com Deus. À luz das Escrituras, somos convidados a despertar espiritualmente, viver com sabedoria e firmar nossa esperança em Cristo, que venceu a morte e oferece vida eterna aos que nele creem.

Em Romanos 13.11–14, o apóstolo Paulo apresenta uma exortação urgente e cheia de esperança: “já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos”.

A epístola aos Romanos foi escrita por Paulo por volta de 57 d.C. a uma Igreja formada por judeus e gentios. No capítulo 13, ele trata da vida cristã em sociedade e, nos versículos 11 a 14, dirige aos crentes uma advertência espiritual marcada por três chamados: despertar do sono, rejeitar as obras das trevas e revestir-se do Senhor Jesus Cristo.

Paulo afirma: “já é hora de vos despertardes do sono”. O sono, nesse contexto, representa a indiferença espiritual, a acomodação e a falsa impressão de que sempre haverá tempo. Muitos vivem como se a eternidade fosse uma realidade distante, mas a morte nos recorda que a vida é breve e que nossas oportunidades são limitadas.

O salmista ora: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90.12). Contar os dias não é viver com medo, mas com sabedoria. É compreender que cada dia recebido de Deus deve ser vivido com propósito, fé e responsabilidade. Por isso, a pergunta se impõe: se hoje fosse o último dia, estaríamos preparados para nos encontrar com Deus?

Em seguida, Paulo escreve: “Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz” (Rm 13.12). A imagem é clara: a noite está passando, o dia se aproxima, e aqueles que pertencem a Cristo devem viver como filhos da luz.

As “obras das trevas” representam tudo aquilo que nos afasta de Deus: práticas, escolhas e atitudes marcadas pela desordem, pela impureza, pela contenda e pelo orgulho. Rejeitá-las é mais do que abandonar comportamentos externos; é permitir que Deus transforme o coração. Como lembra Efésios 5.8: “outrora éreis trevas, porém agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz”.

Diante da morte, somos levados a refletir sobre o tipo de vida que estamos construindo e sobre o legado espiritual que deixaremos. A luz de Cristo deve orientar nossas palavras, decisões e relacionamentos, para que nossa vida testemunhe a graça de Deus.

O terceiro chamado de Paulo é o centro da esperança cristã: “revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13.14). Revestir-se de Cristo é assumir uma nova identidade, viver em comunhão com Ele e permitir que sua vida molde a nossa. Não se trata apenas de evitar o pecado, mas de pertencer ao Salvador e viver para a glória de Deus.

Em 2 Coríntios 5.17, lemos: “se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. Essa é a segurança do cristão diante da eternidade: não a confiança em seus próprios méritos, mas na obra de Cristo, que venceu a morte e concede vida aos que nele creem.

Paulo conclui lembrando que “a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos” (Rm 13.11). Para quem está em Cristo, a morte não é o fim absoluto, mas a passagem para a plenitude da salvação. Jesus declarou: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11.25).

Assim, a mensagem de Romanos 13 continua atual: despertemos do sono espiritual, rejeitemos as obras das trevas e revistamo-nos de Cristo. A vida é breve, mas a esperança em Jesus é eterna. Hoje é tempo de ouvir a voz de Deus, buscar o Senhor enquanto se pode achar e viver à luz da eternidade. Rev. Ronaldo Bandeira Henriques.