Antes dele, não houve rei que lhe fosse semelhante, que se convertesse ao Senhor de todo o seu coração, e de toda a sua alma, e de todas as suas forças, segundo toda a Lei de Moisés; e, depois dele, nunca se levantou outro igual. (2Rs 23.25)
Durante mais de um século Judá vinha sobrevivendo à expansão irrefreável do Império Assírio. Desde que Acaz pusera em perigo a liberdade de Judá, mediante um tratado firmado com Tiglate-Pelezer III (2Rs 16.1-20; 2Cr 28.1-17), esse pequeno reino foi atravessando crise após crise como um vassalo de mais de cinco governantes Assírios. Tratados, manobras diplomáticas, resistências e intervenções sobrenaturais tiveram todos um papel vital na existência contínua de um governo semi-autônomo, no qual regentes ímpios e justos ocuparam o trono de Davi. Agora que a Assíria afrouxava a manopla sobre Judá, renasceram uma vez mais as esperanças nacionalistas, durante as três décadas do reinado de Josias.
Com a tenra idade de 8 anos, Josias foi subitamente coroado rei em substituição ao seu pai, Amom. Após um reinado de 31 anos (640-609 a.C.), ele foi morto na batalha do Megido. As atividades de Josias, descritas em 2Reis 22.1- 23.30 e 2Crônicas 34.1-35.27, se limitam primariamente às suas reformas religiosas.
Visto que a idolatria permeava a tudo no reino, as perspectivas religiosas para rei-menino estavam longe de serem esperançosas. Entretanto, quando Josias chegou à idade adulta, reagiu às condições de pecaminosidade que havia em seus dias. Com a idade de 16 anos já buscava fervorosamente a Deus, ao invés de amoldar-se às práticas idólatras. Em 4 anos sua devoção a Deus se cristalizara a um ponto em que ele deu início à reforma religiosa (628 a.C). No décimo oitavo ano de seu reinado (622 a.C.), quando o templo estava sendo reparado, foi encontrado novamente o Livro da Lei. Impelido pela leitura deste, e advertido de perigo iminente por parte de Hulda, a profetisa, Josias e seu povo observaram a Páscoa de uma maneira sem precedentes na história de Judá. Embora a narrativa escriturística faça silêncio sobre atividades religiosas específicas durante os 13 anos restantes de seu reinado, Josias deu continuação à liderança piedosa, nacerteza de que prevaleceria a paz durante os anos que lhe restavam de vida (2Cr 34.28).
A reforma de Josias revela o poder transformador da Palavra de Deus quando redescoberta e obedecida com sinceridade. Assim, como Josias reagiu com arrependimento e ação diante das Escrituras, a Reforma Protestante do séc. XVI também nasceu da retorno à Escritura e da busca por uma fé autêntica. Para a vida cristã hoje, o exemplo de Josias nos desafia a viver com integridade, rejeitar a idolatria moderna e permitir que a Palavra de Deus molde nossas decisões, promovendo uma reforma pessoal e comunitária que reflita o senhorio de Cristo em todas as áreas da vida. Rev. Ronaldo Bandeira Henriques

