O PECADO POR OMISSÃO

Na verdade, há algo de consternador no fato de que, se por um lado, fazemos muitas coisas que laboram em erro, o nada fazer, a inatividade, também pode constituir um pecado. Tiago fez disso um princípio ao afirmar: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.” (Tiago 4.17) Nisso rebrilha certa lógica. Não basta saber o que é certo. A fim de que esse conhecimento seja espiritualmente valioso, é mister que o indivíduo coloque em prática aquilo que ele sabe ser direito.

Usualmente é o pecado do egoísmo que nos leva a não fazer o que devemos. Com base nisso podemos ajuizar que os pecados por omissão, com freqüência, se não mesmo sempre, estão baseados em alguma forma de egoísmo. E assim, se podemos fazer coisas que não se ajustam aos mandamentos, assim também podemos deixar de fazer aquelas coisas que se ajustam ao maior dos mandamentos, o “amor”, mediante o qual podemos cumprir a lei, em sua inteireza. “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.” (Romanos 13.10)

Não basta alguém ser bom; esse alguém deve por o bem em prática. É conforme afirma o Breve Catecismo de Westminster: “Pergunta 14. O que é pecado? Resposta: Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão dessa lei.” A lei de Deus tanto proíbe certos atos, como também ordena a prática de outros. Podemos falhar quanto a um lado ou contra outro dessa questão. O padrão divino, expresso na lei mosaica é elevadíssimo. E o Novo Testamento estipula: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mateus 5.48).

Somente um longo período de vivência e desenvolvimento espirituais pode livrar-nos dos pecados por omissão. De fato, é perfeitamente possível que, em nosso desenvolvimento espiritual, cheguemos a deixar de cometer atos pecaminosos muito tempo antes de começarmos a aprender a verdadeiramente obedecer a lei do amor. O Espírito Santo cultiva em nós os próprios valores e atributos morais de Deus, ou seja, o “… amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gálatas 5.22-23) Sempre haverá espaço para o nosso aprimoramento; e, por conseguinte, a possibilidade de fazermos aquilo que deveríamos fazer a nós mesmos e ao próximo.

Procure deixar de fazer tudo que aborrece a Deus e faça tudo o que ele requer de você. A vontade de Deus deve ser a nossa primeira preocupação. Rev. Ronaldo Bandeira Henriques.