O sentido eclesiástico da palavra Ordenação, da raiz latina ordinare, é investir com uma função ou ofício religioso, ou então admitir a funções ministeriais. O Senhor Jesus Cristo, sobre cujos ombros está o principado; que é chamado de Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz (Isaías 9.6); ele que é Rei (João 18.37) e Cabeça da Igreja (Efésios 5.23), havendo subido aos céus e concedido dons aos homens, dotou a Igreja com oficiais extraordinários e permanentes, para reuni-la e edificá-la.
Os apóstolos, os profetas e os que possuíam o dom de línguas, de curar e fazer milagres, foram oficiais extraordinários utilizados a princípio por nosso Senhor e Salvador para reunir seu povo dentre as nações, conduzindo-o à família da fé. Esses oficiais e esses dons miraculosos cessaram há muito tempo.
Presentemente, o Senhor Jesus Cristo conserva em sua Igreja os Ministros da Palavra, ou Presbíteros Docentes, comissionados para pregar o Evangelho, administrar os Sacramentos e governar; os Presbíteros Regentes são encarregados de ajudar no governo; e os Diáconos, cujas funções consistem na arrecadação das ofertas dos fiéis para fins piedosos, no socorro aos que, na Igreja, estão necessitados, e no cuidado da ordem do Culto.
Na Escritura são dados diversos títulos àqueles que exercem o Ministério da Palavra: Pastor, Evangelista e outros. Esses títulos não indicam graus de dignidade no ofício, mas descrevem todos o mesmo Ministro. Deus mesmo é quem chama e faz os verdadeiros Ministros da Igreja e lhes concede os necessários dotes para o desempenho dos seus deveres.
A Ordenação, portanto, não é o que faz o Ministro ou lhe dá a capacidade para o ofício, mas é a admissão autorizada de uma pessoa devidamente chamada para desempenhar um ofício na Igreja de Deus, admissão essa acompanhada de oração e imposição de mãos.
O Ordenado é exortado a amar a Cristo e pastorear o rebanho de Deus (Atos 20.28), não constrangido, mas espontaneamente; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominador dos que lhe foram confiados, antes se tornando modelo do rebanho na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza e jamais negligente (1Pedro 5.1-3). O novo Ministro deve cuidar de si mesmo e da doutrina (1Timóteo 4.16), ser perseverante, paciente em todas as aflições e perseguições que se lhe fizerem por causa da verdade, enfim, lutar como um bom soldado de Cristo.
A Ordenação ao Sagrado Ministério não visa uma presente coroa de glória. Entretanto, “logo que o supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.” (1 Pedro 5.4) Rev. Ronaldo Bandeira Henriques.

