ONDE ESTÁ O TEU TESOURO?

“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam;” (Mateus 6.19-20)

Jesus está dizendo: quão absurdo é alguém acumular para si mesmo tesouros terrenos perecíveis, e, enquanto ele faz isso, está perdendo as riquezas celestiais e imperecíveis! Os tesouros terrenos são vulneráveis em razão de deterioração e desfalque.

Quanto à deterioração pela traça e a ferrugem: A traça pertence à grande ordem dos insetos chamados lepidópteros, ou seja, insetos com as asas cobertas de escamas. Este pequeno inseto deposita seus ovos na lã. Em seu estado larval se alimenta do tecido até que a vestimenta fique rendilhada e é destruída (ver Is 51.8; Lc 12.33; Tg 5.2). A ferrugem provavelmente indique a corrosão de metais, o fato de se corroer pela ação de elementos químicos. Assim, analogamente os termos “traça” e “ferrugem” representam todos aqueles agentes e processos que levam os tesouros terrenos a diminuírem em valor e finalmente deixarem completamente de servir a seus propósitos.

Quanto ao desfalque em que os ladrões escavam e roubam. Nas paredes de adobe das casas do tempo de Jesus, o ladrão podia facilmente fazer uma abertura e roubar os tesouros mal guardados. A inflação, os impostos opressivos que podem equivaler a uma confiscação, as bancarrotas, as crises do mercado de capitais, os gastos associados às longas enfermidades, estes e muitos outros males semelhantes têm o mesmo efeito. Além disso, o corpo do homem, inclusive o dos mais fortes, se desgasta gradualmente (ver Sl 32.3; 39.4-7; 90.10; 103.15,16; Ec 12.1-8). Quando ele morre, todos os tesouros terrenos, nos quais depositara suas esperanças, se desvanecem com ele.

Os “tesouros no céu” são completamente diferentes, ou seja, aquelas bênçãos que nos foram reservadas no céu (1Pe 1.4), que são celestiais em seu caráter, mas das quais já desfrutamos de um antegozo mesmo agora. Algumas dessas bênçãos são descritas pelo próprio Senhor Jesus tais como: nossa situação diante de Deus como pessoas completamente perdoadas (Mt 6.14); orações respondidas (Mt 7.7); os nossos nomes arrolados no céu (Lc 10.20); o amor do Pai (Jo 16.27); as boas-vindas nas mansões celestiais e na companhia do Salvador (Jo 14.2,3), etc. Essas enumerações são meramente ilustrativas, não exaustivas.

Como já vimos os tesouros do céu são à prova de traça, ferrugem e roubo. Noutras palavras, são de duração eterna em todo o seu brilho fulgurante, como possessão intransferível dos filhos do Pai Celestial. Por isso nosso olhar deve fixar-se neles.

Entretanto, podem-se suscitar as seguintes perguntas: “Então, se é errôneo ajuntar tesouros sobre a terra, significa que é totalmente e sempre errado fazer provisão para as necessidades físicas futuras?” “Todo comércio, negócio e indústria que se tem como propósito, pelo menos em parte, de fazer lucro é condenável?” “Todos os ricos devem ser considerados como réprobos?” Às três perguntas a resposta é: “Não!” Deus não condenou José por aconselhar Faraó a armazenar grãos para uso futuro (Gn 41.33-36). Nem tão pouco Salomão e Agur estavam errados em citar a formiga como exemplo do bom-senso revelado em prover durante o verão para as necessidades do inverno (Pv 6.6; 30.25) Nem Paulo cometeu um equívoco quando escreveu 2Coríntios 12.14b e 1Timóteo 5.8. Negócios e bancos são encontrados, por inferência, nas parábolas de Cristo (Mt 25.14-30; Lc 19.11-23). O rico Abraão (Gn 13.2) era amigo de Deus (Is 41.8; 2Cr 20.7; Tg 2.23). O rico Zaqueu (Lc 19.2) foi considerado digno de ser chamado “filho de Abraão” (Lc 19.9); e o rico José de Arimatéia foi um seguidor do Senhor Jesus (Mt 2757).

Seguramente, o dinheiro pode ser uma grande bênção, entretanto, não pode ser um fim em si mesmo, mas, um meio para alcançar um fim, isto é: a) Para impedir que a família de alguém se constitua num pesado fardo para outros (1Tm 5.8); b) Para socorrer aqueles que estão em dificuldades (Pv 14.21; 19.17); c) Para estimular a obra do evangelho (Lc 8.2,3: Fp 4.15-17; 1Tm 5.17,18), tudo para a glória de Deus.

O Senhor está mostrando que se o tesouro de uma pessoa é algo que pertence a terra, então seu coração será completamente absorvido por esse objetivo mundano. Todas as suas atividades, mesmo aquelas que são de caráter religioso, serão subservientes a esse único propósito.

Por outro lado, se alguém movido por sincera e humilde gratidão a Deus, fez do Reino de Deus o seu tesouro, ou seja, o reconhecimento deleitoso da soberania de Deus em sua própria vida e em cada esfera da mesma, então é ali também onde estará o seu coração. Nesse caso, o dinheiro será uma ajuda, não um entrave.

Que o nosso tesouro esteja sempre na obra do Senhor porque onde está o nosso tesouro, ali também estará o nosso coração (Mt 6.21). Rev. Ronaldo Bandeira Henriques.